terça-feira, 8 de agosto de 2017

Drenagem Linfática aumenta o risco de metástase?

“Um dos grandes receios que ainda alguns profissionais tem em relação ao atendimento do paciente com câncer é que a realização de técnicas de massagem ou drenagem linfática manual possa acelerar ou permitir que o câncer se espalhe para uma região distante do tumor primário, condição chamada de metástase, seria isso possível?

A Drenagem Linfática Manual (DLM) é uma técnica de massagem  realizada com pressões suaves e como o próprio nome diz, as mãos do terapeuta seguem as vias linfáticas do corpo, assim favorecendo o deslocamento dos líquidos acumulados nos tecidos.

Em pacientes oncológicos, principalmente os que realizaram cirurgias que necessitam da abordagem e/ou remoção dos gânglios linfáticos, a DLM faz parte da Terapia Descongestiva Complexa, que atualmente é gold standard para o tratamento do linfedema (inchaço), que é uma complicação comum nesses pacientes.

O que acontece é que associar a DLM ao maior risco de metastase é um grande MITO, que pode ser desmistificado ao se conhecer um pouco mais sobre a bases genéticas da oncologia. Para que um câncer possa evoluir é necessário um “microambiente ótimo”, que depende da biologia do tumor e não de fatores anatômicos. 
Assim os rumores que o estímulo do fluxo linfático através da drenagem linfática manual permita que células malignas se espalhem ou contribua para progressão da doença esta infundada.

O que deve chamar a atenção para aplicação da técnica são as particularidades que envolvem o paciente com câncer, necessitando que cuidados sejam tomados para que os benefícios da sua aplicação sejam alcançados.

O primeiro ponto de fundamental importância é que a DLM seja realizada por um fisioterapeuta com conhecimento nas áreas da oncologia e/ou linfologia e que seja realizada uma avaliação médica e fisioterapêutica detalhada antes que o tratamento seja iniciado, pois para indicação da DLM é preciso levar em consideração: 
  • Tipo de câncer e estadiamento
  • Comprometimento hematológico
  • Tratamentos anti-neoplásicos em andamento
  • Período de remissão ou tempo livre da doença
  • Contraindicações da DLM (exemplos: processos inflamatórios e infecciosos agudos, insuficiência renal ou cardíaca descompensada, alterações sensitivas importante, doença ou invasão ganglionar, plaquetopenia, trombose não tratada).
O tempo inteiro nosso corpo está promovendo estimulo ao sistema linfático, como através das contrações musculares, respiração por exemplo, desta forma, sendo o estimulo manual através de pressões suave comprovadamente incapaz de aumentar o risco de recidiva (que a doença volte) como apresentado em diversos estudos. Em um estudo publicado no Journal of Phlebology and Lymphology (2009), ao avaliar 49 pacientes oncológicos com linfedema tratados com DLM, bandagens e exercícios, concluíram que a DLM associada ao tratamento do linfedema não agravou o risco de metástase no grupo estudado.

Por tanto, a drenagem linfática pode ser realizada em pacientes com câncer em diferentes fases da doença, porém é preciso que os riscos e benefícios sejam levados em consideração, sempre excluindo a presença das contra-indicações, deve-se considerar que cada paciente é único e cada caso e situação deve ser avaliada particularmente, para que se possa escolher a melhor estratégia de tratamento.

IMPORTANTE! DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL NÃO (DEVE) CAUSA DOR NEM HEMATOMAS!
Como vimos, muitos mitos devem ser quebrados, e, particularidades do paciente Oncológico devem ser amplamente conhecidas pelo profissional que se propõem a atendê-lo, há muita responsabilidade na condução deste paciente tão particular.

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